21.12.11

Bloqueio da Comunicação

Numa relação sincera, devemos ter a ajuda mútua como objetivo comum. Uma parte pode ajudar a outra a vencer a inibição e superar bloqueios. Isso faz parte de um dos princípios maiores do desenvolvimento evolutivo do ser humano: a “interdependência”.
O pior de todos os bloqueios é o “bloqueio de comunicação”, ou da capacidade de se fazer entender.


Dizem que num certo país foi votada uma lei segundo a qual cada casal, casado há mais de cinco anos, teria que ter, obrigatoriamente, pelo menos um filho. Segundo a lei, quando isto não se verificasse, caberia ao governo tomar as providências necessárias ao cumprimento da lei.
Um casal interpretou erroneamente o texto da lei e, um dia após completar cinco anos de casados, o marido um tanto deprimido disse à sua esposa:
― Bem, meu amor, devemos nos conformar, não é? Como não tivemos filhos, deverá aparecer algum representante do governo para tomar as providências legais. Por favor, facilite as coisas para resolver a questão.
Um tanto sem graça, saiu, deixando a mulher sozinha em casa. Não passara ainda duas horas, quando a campainha soou. Não era nenhum funcionário do governo, e sim, um fotógrafo de crianças, cuja empresa havia enviado por engano àquele endereço, para um possível trabalho.
Como a mulher ignorava este detalhe, e imaginando tratar-se de um representante do governo, foi logo abrindo a porta. Houve, então, o seguinte diálogo:
― Com certeza, a senhora sabe por que vim aqui!...
― Ah, sim, eu sei. É... meu marido me falou. Entre, por favor.
― Eu sou um especialista em crianças...
― Sim... eu.. já sei de tudo, não se preocupe.
― O seu marido, com certeza, não se oporá.
― Não... claro que não... diante das circunstâncias...
― Bem, então podemos começar logo!...
― Sim... podemos... mas... estou meio encabulada... afinal... é a primeira vez que não é com o meu marido.
― Ora, madame, não se preocupe. A senhora vai adorar a minha técnica, eu garanto. Vai até querer repetir... Podemos iniciar na banheira, depois no tapete, por fim no quarto...
― Puxa... quanta criatividade...
― O interessante, madame, é fazer de forma bem variada. A senhora sabe, somos humanos, às vezes posso falhar...
― Ah, sim, compreendo...
― Mas, antes de começar, eu gostaria de apresentar um mostruário com meus trabalhos mais recentes... – e, abrindo um álbum com fotos de bebês, ele diz:

― Veja só que beleza... é tudo obra minha. Esta aqui ficou linda, levei quatro horas para fazer. Mas valeu a pena, não acha?...
― Sim... é.. sem dúvida. Mas... quatro horas? Não é muito tempo?
― De maneira alguma, senhora. Nesta profissão não se pode ter pressa. A perfeição advém da calma e da preparação cuidadosa. Veja este outro. Acredite ou não, foi feita em um ônibus!...
― Noosssaaa... num ônibus?...
― Olhe essa foto. Veja, são gêmeos. Lindos, não acha?...
― ... E... onde foram feitos?...
― Num jardim público ao entardecer. A senhora precisava ver como se juntaram os curiosos. O pior é que chuviscava e a umidade acabou estragando o meu aparelho. Mas, não se preocupe. Já resolvi o problema com um especialista, e agora está funcionando. Há pessoas que não entendem nada dessas coisas, mas, pelo jeito a senhora é experiente e sabe distinguir o bom do ruim, não é mesmo? Bem, creio que podemos começar agora. Onde prefere a primeira?
― Bem... é... é... pode ser aqui mesmo...
― Neste caso, é melhor eu armar o tripé.
― Triiipééé?!... Para quê?!...
― É que o meu aparelho é muito grande e um pouco pesado...
Naquele momento o fotógrafo, sem nada entender, viu a mulher cair desmaiada. E só voltou a si quando o marido chegou em casa.


Se não está claro, pergunte. Não tenha medo de ofender. A ofensa será, certamente, muito maior se você entender errado e fizer de outra forma.

Texto extraído do livro: Melhoria da qualidade das relações, de Baltazar M. Melo

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