23.3.10

Doença da pressa

Por Mariana Araguaia - Graduada em Biologia

Doença da pressa: alterações comportamentais do homem moderno.

Atualmente vivemos em um momento no qual trabalhamos e vivemos em velocidade frenética, sendo que para muitas pessoas toda essa correria ainda não é suficiente para todas as suas atividades. Assim, geralmente vivem dominadas por um sentimento de ansiedade, podendo em alguns casos desencadear em alterações comportamentais como, por exemplo, a chamada síndrome da pressa.
Presente em aproximadamente 30% da população economicamente ativa de nosso país, esta síndrome é caracterizada por sintomas como agonia, adoção e execução de diversas atividades simultaneamente, impaciência em situações corriqueiras e pouco interesse pelo o que os outros falam (geralmente interrompendo a todo o momento tais pessoas). O indivíduo tem a sensação contínua de que o tempo deve ser aproveitado ao máximo, passando a considerar até mesmo seus períodos de descanso como sendo “perda de tempo”. Na maioria dos casos, ele mesmo não tem consciência de que está sendo dominado pela pressa, sendo bastante frequente suas queixas sobre o suposto pouco tempo que possui. Entretanto, quanto a isso, é geralmente ele mesmo quem transforma sua rotina nesta infinita correria; se sentindo valorizado quando supera suas metas, e culpado quando não está executando alguma tarefa.
Essas pessoas tendem a apresentar perfil ambicioso, agressivo e competitivo; com fala rápida e enfática. Além disso, tensão muscular, cansaço constante, insônia, falta de concentração e tendência à ingestão excessiva de remédios e bebidas são outros traços.
Diante destes fatos, tendem a ser mais tensas e irritadiças; aumentando os riscos de sofrerem de infarto ou derrame. Síndrome do pânico, estresse, agorafobia, transtorno obsessivo compulsivo, transtorno de ansiedade generalizada, hipertensão arterial, diabetes, problemas alérgicos, dermatites, gastrites, úlceras, obesidade, dentre tantas outras enfermidades também podem se desenvolver, em médio ou longo prazo. Suas relações interpessoais também costumam ser prejudicadas, já que “falta tempo” para dedicar às pessoas.
Como não faz bem ao organismo viver neste ritmo desenfreado, algumas medidas devem ser tomadas para evitar as consequências que este desencadeia. Assim, a reeducação é fundamental. Reorganizar a agenda, delegar atividades a outras pessoas, adequar as expectativas somente àquilo que é possível, compreender seus limites, conversar sobre assuntos que não dizem respeito unicamente a seu trabalho, ter mais contato com amigos e familiares e reservar momentos diários de descanso são algumas medidas bastante úteis. Em alguns casos, auxílio psicoterápico poderá ser necessário.

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