22.1.10

O direito ao “foda-se!”

O nível de stress de uma pessoa é inversamente proporcional é quantidade de “foda-se!” que ela fala. Existe algo mais libertário do que o conceito do “foda-se!”? O “foda-se!” aumenta minha auto-estima, me torna uma pessoa melhor. Reorganiza as coisas. Me liberta. “Não quer sair comigo? Então foda-se!”. “Vai querer decidir essa merda sozinho(a) mesmo? Então foda-se!”

O direito ao “foda-se!” deveria estar assegurado na Constituição Federal.

Os palavrões não nasceram por acaso. São recursos extremamente válidos e criativos para prover nosso vocabulário de expressões que traduzem com a maior fidelidade nossos mais fortes e genuínos sentimentos. É o povo fazendo sua língua. Como o Latim Vulgar, será esse Português Vulgar que vingará plenamente um dia.

“Pra caralho”, por exemplo. Qual expressão traduz melhor a idéia de muitaquantidade do que “pra caralho”? “Pra caralho” tende ao infinito, é quase uma expressão matemática. A Via-Láctea tem estrelas pra caralho, o Sol é quente pra caralho, o universo é antigo pra caralho, eu gosto de cerveja pra caralho, entende?

No gênero do “Pra caralho”, mas, no caso, expressando a mais absoluta negação, está o famoso “Nem fodendo!” O “Não, não e não!” e tampouco e nada eficaz e já sem nenhuma credibilidade “Não, absolutamente não!” o substituem.

O “Nem fodendo!” é irretorquível e liquida o assunto. Te libera, com a consciência tranqüila, para outras atividades de maior interesse em sua vida. Aquele filho pentelho de 17 anos te atormenta pedindo o carro pra ir surfar no litoral? Não perca tempo nem paciência. Solte logo um definitivo “Marquinhos, presta atenção, filho querido, NEM FODENDO!”. O impertinente se manca na hora e vai pro Shopping se encontrar com a turma numa boa e você fecha os olhos e volta a curtir o CD do Lupicínio.

Por sua vez, o “porra nenhuma!” atendeu tão plenamente as situações onde nosso ego exigia não só a definição de uma negação, mas também o justo escárnio contra descarados blefes, que hoje é totalmente impossível imaginar que possamos viver sem ele em nosso cotidiano profissional. Como comentar a gravata daquele chefe idiota senão com um “é PHD porra nenhuma!” ou “ele redigiu aquele relatório sozinho porra nenhuma!”.

O “porra nenhuma”, como vocês podem ver, nos provê sensações de incrível bem estar interior. É como se estivéssemos fazendo a tardia e justa denúncia pública de um canalha.

São dessa mesma gênese os “aspone”, “chepone”, “repone” e mais recentemente o “prepone” - presidente de porra nenhuma.

Há outros palavrões igualmente clássicos. Pense na sonoridade de um “Puta que pariu!”, ou seu correlato “Pu-ta-que-o-pa-riu!!!”, falados assim, cadenciadamente, sílaba por sílaba.

Diante de uma notícia irritante qualquer um “puta-que-o-pariu!” dito assim te coloca outra vez em seu eixo. Seus neurônios têm o devido tempo e clima para se reorganizar e sacar a atitude que lhe permitirá dar um merecido troco ou o safar de maiores dores de cabeça.

E o que dizer de nosso famoso “vai tomar no cu!”? E sua maravilhosa e reforçadora derivação “vai tomar no olho do seu cu!”. Você já imaginou o bem que alguém faz a si próprio e aos seus quando, passado o limite do suportável, se dirige ao canalha de seu interlocutor e solta: “Chega! Vai tomar no olho do seu cu!”. Pronto, você retomou as rédeas de sua vida, sua auto-estima.

Desabotoa a camisa e sai à rua, vento batendo na face, olhar firme, cabeça erguida, um delicioso sorriso de vitória e renovado amor-íntimo nos lábios.

E seria tremendamente injusto não registrar aqui a expressão de maior poder de definição do Português Vulgar: “Fodeu!”. E sua derivação mais avassaladora ainda: “Fodeu de vez!”. Você conhece definição mais exata, pungente e arrasadora para uma situação que atingiu o grau máximo imaginável de ameaçadora complicação?

Expressão, inclusive, que uma vez proferida insere seu autor em todo um providencial contexto interior de alerta e auto-defesa. Algo assim como quando você está dirigindo bêbado, sem documentos do carro e sem carteira de habilitação e ouve uma sirene de polícia atrás de você mandando você parar: O que você fala? “Fodeu de vez!”.

“Liberdade, igualdade, fraternidade e foda-se!!!”


A autoria deste texto é um mistério. A maioria dos sites dizem ser escrito pelo Millôr Fernandes, mas não é certeza. O que interessa é que o texto é muito bom e mostra uma realidade, por mais que moralistas critiquem, é praticamente impossível viver sem palavrões. O palavrão serve como uma válvula de escape da tensão! Lógico que assim como tudo, o exagero não é recomendável. Se de cada dez palavras, nove for palavrão fica dificil estabelecer qualquer diálogo.

13 comentários:

  1. ahuahuahuia muito interessante esse texto sobre os palavrões

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  2. nunca vi ninguem filosofar tanto sobre os palavrões.parabens ao autor seja lá quem ele for

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  3. Não tá mesmo pra viver sem eles . como o texto diz é uma valvula de escape !Serve tanto pra felicidade como pra triteza , por isso não vivemos sem palavrões.

    Texto "foda"

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  4. Esse texto e bom pra caralho, não podia deixar de ver nem fodendo, e aqueles que não coemntarem vao tomar no olho do....brincadeirinha, texto muito bom...gostei dele e do blog e bem legal seu blog

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  5. Velho, nada alivia mais o stress e nos acalma para pensar na vida do que um "PUTA QUE OPARIU!" falado pausadamente...

    aspoasopsaopposa

    Texto du caralho!

    Abraços
    www.borarir.com

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  6. Senão me engano a primeira vez q li esse texto foi numa revista, lá tinha a autoria. Mas não lembro q revista era...

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  7. texto foda...nada melhor que um palavrão pra aliviar a tensão...principalmente no trabalho (o chefe não pode ouvir)nada melhor q depois de um telefonema de um fornecedor chato vc dizer:
    vá toma no olho do seu c.....!!!

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  8. é mesmo de foder este texto rs


    parabens pel otexto um achadooo!


    to seguindo o blog muito bom.

    COMENTANDO COM CONTEUDO.
    www.contemporaneoeindiscreto.blogspot.com
    LEIA E COMENTE, NÂO DIGA "adorei o post" "parabens pelo blog" você espera um comentario Decente, então Começe por você

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  9. Puta que pariu, texto ótimo pra caralho. Palavrão é muito bom, e foda-se quem não gostar

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  10. kkkk... Verdade, eu os evito, mas são mesmo uma valvula de escape.. hahaha!

    Abraação...

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  11. shuaushahshsushushsuhsuhashu
    o texto é bom pra caralho,

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  12. Agora posso soltar um palavrão de vez em quando sem sentimento de culpa! Muito bom!

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  13. Esse texto é da autoria de Pedro Ivo Resende.

    http://www.facebook.com/pedroivo

    Quem conhece o cara sabe que esse texto não é nem um grão no mar de pérolas que a mente deste publicitário produz.

    Abs!

    Fábio de Castro

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