6.7.09

O inferno da Somália, visto de perto

por Fábio Zanini



Para ir a alguns lugares (Iraque, Afeganistão, Faixa de Gaza), um jornalista tem que ser corajoso. Para ir à Somália, só se for maluco.
A revista britânica “The Economist” dessa semana traz uma matéria inacreditável sobre o lugar mais perigoso do mundo. Não feita do Quênia, como costuma ser tudo relativo à Somália, mas in loco.
O jornalista foi à Somália e voltou vivo para contar a história (pena que jamais saberemos seu nome, já que a revista adota uma política de não assinar as reportagens).

Está aqui (em inglês):
http://www.economist.com/world/mideast-africa/displaystory.cfm?story_id=13964251

Na Somália em guerra, um jornalista, ainda mais ocidental, teria dificuldades de durar mais do que 24 horas, mesmo com zilhões de guarda-costas contratados. Desconfio que o maluco do jornalista não faça o tipo inglês branquelo. Talvez seja negro, quem sabe até de ascendência somali. De novo, nunca saberemos sua identidade nem as circunstâncias em que conseguiu esse feito.
Por que é tão perigoso? Porque não existe Estado, lei ou governo. É a anarquia, um território pobre e árido disputado a tapas (tiros, na verdade) por clãs, subclãs, senhores da guerra, mercenários, piratas e adeptos da Al Qaeda de Osama Bin Laden. Estrangeiros são prêmios cobiçados: podem valer um bom resgate.
O texto começa mostrando que uma das regiões visitadas, no sudoeste do país, é uma terra árida, em que mulheres costumam ser comidas por crocodilos quando vão buscar água suja em alguns dos poucos rios.
Depois, próximo a uma cidade de nome Wajid, o repórter teve de dar meia volta em seu trajeto. Um cidadão estava sendo justiçado, com o método mais popular da região: a decapitação.
Quem dá as cartas em grande parte da Somália é a milícia Shabab, ou “Juventude” na língua local. É formada por fundamentalistas islâmicos. Um deles conversou escondido com o repórter: se fosse pego falando com um “infiel”, poderia ser punido.
Uma das poucas agências humanitárias a se aventurarem no país é o Programa Alimentar Mundial, da ONU. A Shabab às vezes autoriza o programa a operar e distribuir ajuda desesperadamente necessária.
Não que adiante muito. Em algumas áreas, 90% das pessoas são desnutridas. E a coisa vai piorar. As chuvas desse ano foram ruins. Refugiados já se acumulam. E não há sinal de fim do conflito armado que está na raiz do drama.
A Somália é uma tragédia que geralmente fica em segundo plano no noticiário internacional, muito porque os repórteres não entram lá.
A menos que sejam malucos, como o herói anônimo da “The Economist”.
Fonte:penaafrica.folha.blog.uol.com.br

3 comentários:

  1. Eu li a reportagem, e é muito triste todaessa situação. Lembrei do filme "Amor Sem Fronteiras" (acho que é isso), com Clive Owen e Angelina Jolie; e do filme "Hotel Rwanda", com Don Cheadle. Dois filmes que mostram a realidade de muitos alguns países da África, claro, não mostra 100% das coisas, mas dá ter uma noção.

    Concordo com vc, o repórter deveria ter uma descendência somali. Mesmo assim, o cara realmente é corajoso, imagina conversar com alguém, fazer uma pergunta e o cara te manda decapitar. Pior: tua família nem ficar sabendo.

    É triste, é complicado. Os outros países, sobretudo as potências, e a imprensa internacional não se interessam pelos conflitos e pela situação política-social de lugares como Somália, porque lá não tem nada que os interesse (petróleo, ouro, etc etc)

    BjoxXD...

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  2. não só eles como nós tambem precisamos de governantes q governem dor. Existem muitos q pensam que o mundo acabarar derrepente, mas sim, ele acabara com a desordem que vive o nosso planeta.
    ass:Anderson de Nilopolis(RJ)

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  3. RONALDO BRILHA MUITO!!!!!!!!!!!!!!!!!

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