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quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

O Bom e velho Futebol de Botão!!!

Talvez eu esteja muito velho, ultrapassado, antigo, talvez foram os tempos que mudaram, talvez os dois, talvez nenhum, mas o fato, é que se eu chegar perto de uma criança ou adolescente e falar: “vamos jogar futebol de mesa”, é bem provável de ele aparecer algum tempo depois chutando a mesa da cozinha da casa dele. Para quem não sabe, futebol de mesa, ou de botão foi inventado em 1930 pelo brasileiro Geraldo Décourt. Contam que ele primeiro jogava com botões de cueca, passando posteriormente a usar os botões da calça de seu uniforme escolar (o cara ficava sem roupa, mas não ficava sem jogar botão!!!rs). Dessa brincadeira de criança surgiu o "jogo de botões", aquilo que se tornaria o esporte difundido e amado por uma legião incontável de praticantes e admiradores, com sua diversidade de regras e materiais, tendo adeptos em um grande número de países.
Infelizmente, de uns tempos pra cá, o futebol de botão esta sendo abandonado pela geração dos videogames. São poucas as crianças que sabem jogar.
Foi a tradição, mas ficam as recordações, de quando se brigava pelas caixinhas de fósforos para fazer goleiros, principalmente se o fósforo fosse da marca Zebra (nem sei se existe ainda), pelo fato dela ser maior. Agente enchia de areia, brita ou pregos, a fim de ficar bem pesado, enrolava eles em folhas chamex, colocávamos a bandeira, numero, nome e encapávamos com durex. Ou então dos nossos maiores artilheiros, da alegria de se achar um time inédito para compor a nossa coleção (no meu caso, que mantenho guardado até hoje com mais de 100 times e seleções), dos grandes jogos realizados no Estrelão (nome esse devido ao fato de que as primeiras mesas eram produzidas pela fábrica Estrela, durante os anos 70), dos títulos do nosso time de coração, onde só mesmo no botão, agente tem o controle sobre ele, e os jogadores tem amor à camisa, quer dizer, os botões tem amor aos adesivos. Das brigas devido algum lance duvidoso, que por falta de um tira-teima, a duvida nunca foi esclarecida.
Eram simples objetos, que ganhavam vida com nossa imaginação, e não jogos quase reais feitos para crianças sem imaginação.

3 comentários:

  1. Caramba, adorei esse texto! Fala a triste realidade! Muitos jovens nem se quer sabe oque é futebol de mesa. Eu adoro futebol de mesa, mas ainda é dificil achar amigos que joguem comigo aqui em Recife, tenho tudo que preciso e que saberpra jogar futebol, menos amigos bons de mesa!
    @ItaloMooura
    http://twitter.com/ItaloMooura

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  2. Muito bom o texto! Foi super útil!

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  3. Tbm hje zapeando pela net acabei encontrando esse texto...emocionante

    Há quem conheça o futebol apenas pela televisão, sem nunca ter sentido a vibração de um estádio. Modéstia à parte, na minha infância eu podia ir a um estádio sempre que quisesse, e inclusive era um dos protagonistas das partidas. Isso porque o estádio ficava lá em casa mesmo: um grande campo de futebol de botão, feito de madeira, herdado do meu pai. Normalmente, não havia uma localização fixa para ele: podia tanto ficar no meu quarto como na sala de estar e até mesmo na varanda de casa.
    Não era um campo desses que a gente vê nas cidades do interior, com grama ruim, cheio de buracos e uma porção de terra na frente do goleiro. Na verdade, era um campo tão profissional que as suas laterais eram preenchidas com anúncios de refrigerantes, cervejas, automóveis, bancos – tudo caprichosamente recortado de alguma revista semanal. Eram os patrocinadores das nossas partidas, naturalmente.
    Onze jogadores de cada lado era demais para o nosso estádio, então jogávamos com seis em cada time. Todo jogador contava com um distintivo do clube e o número da camisa. Os goleiros, naturalmente, não eram aqueles que vêm junto na caixinha – eu nunca conheci alguém que jogasse com eles. Preferíamos as caixinhas de fósforos, decoradas com papel de presente – obviamente, da mesma cor da camisa do time.
    Um dos times que eu mais escolhia para jogar, não sei por qual motivo, era o Guarani de Campinas. Era um timaço aquele Guarani. Até o Biro-Biro jogava nele. No gol, um tal de Sidmar e um tal de Birigui. Pegavam até pensamento. Mas o grande craque era um tal de Luís Müller. Atacante. Usava a 9. Nunca fiquei sabendo quem era de verdade. Pelo nome, devia ser gente do sul. Mas não havia uma partida em que ele não marcasse ao menos um golzinho – e, em geral um golaço. Era canhoto, suponho. Tinha a habilidade de um canhoto. Mas chutava com as duas pernas – uma de cada vez. Sua cabeçada era mortal. O goleiro de caixinha de fósforo tremia quando se via diante dele. Não havia adversário difícil: Luís Müller aterrorizava até mesmo os zagueiros de Flamengo e Fluminense, dois times de botão tradicionalíssimos. Poucos sabem, mas a fase de ouro do Guarani aconteceu lá em casa mesmo – por lá, ele nunca chegou a ser rebaixado.
    Mas também treinei outros times e, até que um amigo de infância me prove o contrário, eu nunca perdi uma partida – a não ser para o meu pai, mas ele se aproveitava do fato de ter nascido duas décadas antes de mim. A experiência pesava a seu favor. Com meus amigos, houve uma única derrota, até hoje bastante contestada. Lembro que houve faltas muito mal marcadas, e alguns gols tão improváveis que certamente foram irregulares. Foi um 3×1 doído, sofrido. Uma zebra. Ferido, o meu time quis revanche. E na partida seguinte, aqueles jogadores deram a vida em campo. Sem diminuir o ritmo, anotaram um histórico 11×1. E então foi amenizada a dor pela minha derrota inédita.
    É verdade que hoje em dia o nosso estádio deixou de ser utilizado. Ficou fora de moda. Não atende mais as nossas exigências. Os jogadores não saem mais de dentro de uma caixa de sapatos. E o campo passou a ficar o tempo inteiro embaixo de uma cama em Curitiba – onde tudo que consegue sobre si é um punhado de pó e bolor, tão incômodos quanto uma memória de infância

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